Checklist de anonimização de imagem clínica
Versão: 2026-08-v1
Rode esta lista antes de subir qualquer imagem. Ela leva menos de dois minutos por arquivo e é a diferença entre uma imagem de ensino e um vazamento de dado de saúde.
Regra geral: dado de saúde é dado pessoal sensível. O ônus de provar que a imagem não identifica ninguém é de quem a publica, não de quem reclama.
1. Dentro da imagem (o que se enxerga)
- Cabeçalho de radiografia. Radiografias panorâmicas e tomografias saem do software com uma faixa contendo nome, data de nascimento e às vezes o CPF. Recorte a faixa inteira — não borre, recorte: borrão pode ser revertido, pixel apagado não.
- Etiqueta física ou marcação a caneta no filme, na moldeira ou no modelo.
- Data de nascimento visível em qualquer canto. Data de nascimento + procedimento + região é combinação reidentificável.
- Número de prontuário impresso na imagem.
- Rosto, olhos ou perfil reconhecível em foto extraoral. Se o TCLE não autorizou expressamente foto extraoral, a imagem não sobe.
- Tatuagem, piercing, cicatriz marcante, joia ou aparelho com desenho único visível na região.
- Reflexo em espelho intraoral, lente de óculos ou instrumento metálico mostrando rosto ou ambiente identificável.
- Crachá, uniforme com nome, tela de computador ao fundo em foto de ambiente.
- Anomalia dentária muito característica somada a informação de local e data. Sozinha não identifica; junto com “clínica X, março de 2026” pode identificar.
2. Dentro do arquivo (o que não se enxerga)
-
Metadados EXIF — a maioria das câmeras e celulares grava data, hora, modelo do aparelho e coordenadas de GPS. Remova.
# Remove TODOS os metadados, sobrescrevendo o arquivo exiftool -all= -overwrite_original imagem.jpg # Conferir que não sobrou nada exiftool imagem.jpg -
Tags DICOM, quando a origem for tomografia ou radiografia digital. DICOM carrega
PatientName,PatientID,PatientBirthDate,InstitutionNamee mais de uma centena de campos. Exportar para JPEG/PNG não é suficiente se o exportador gravar EXIF — rode oexiftoolde qualquer jeito. -
Nome do arquivo.
maria-silva-panoramica.jpgderrota todo o resto. Renomeie para algo neutro antes de subir:pan-perio-001.jpg. -
Miniatura embutida. Alguns formatos guardam uma miniatura do arquivo antes do recorte.
exiftool -all=remove; conferir depois de recortar, não antes.
3. Fora da imagem (o texto do caso)
- Idade exata só quando relevante; acima de 89 anos, agrupe (“mais de 90 anos”) — idade muito alta é rara e identifica.
- Profissão incomum. “Professora” é seguro; “prefeita da cidade” não.
- Datas de atendimento. O caso não precisa delas. Não as inclua.
- Nome do serviço junto com detalhe clínico raro. Se a condição for rara, retire a instituição do texto do caso — ela continua no crédito da imagem, que é o lugar certo.
- Nada de nome, apelido ou iniciais do paciente, em nenhum campo.
4. Antes de dar publicar
- Abra a imagem final em tamanho real e olhe as quatro bordas.
- Confirme os campos do cadastro: licença
CEDIDA-PARCEIRO, referência de consentimento preenchida (protocolo, não nome), autor e fonte preenchidos, aprovação ética quando houver. - Confira o veredito de licença que o painel mostra. Se houver bloqueio, ele é a resposta certa — não procure como contorná-lo.
O que o sistema faz por você (e o que não faz)
| Bloqueia imagem sem licença apurada | ✅ |
| Bloqueia licença com cláusula NC ou ND | ✅ |
| Bloqueia licença que exige crédito com autor ou fonte em branco | ✅ |
Bloqueia imagem CEDIDA-PARCEIRO sem referência de consentimento |
✅ |
| Avisa quando não há aprovação ética declarada | ✅ |
| Detecta rosto, cabeçalho de radiografia ou nome na imagem | ❌ — é você quem olha |
| Remove EXIF automaticamente | ❌ — rode o exiftool |
Se algo passou
Aconteceu de uma imagem identificável ir ao ar:
- Retire a imagem da plataforma primeiro; investigue depois.
- Avise a plataforma (
{{BRAND_SUPPORT_EMAIL}}) para que a mídia seja removida do armazenamento, não só do caso. - Avise a instituição e, conforme a política dela, o paciente.
- Registre o que aconteceu. Incidente com dado pessoal tem obrigação de registro na LGPD, e o registro é o que permite corrigir o processo.
Retirar rápido é sempre a decisão certa. Nenhum caso clínico vale mais que a privacidade de um paciente.